Sonhar é um dever de casa que eu tento entregar todos os dias.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Eu nasci para ser lar
A solução é amar, mais que o horizonte e o céu, o soluço e o ar, a mão e suar. Não nasci para ser um cômodo vazio, eu nasci para ser seu Lar.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
O peso dos sonhos
Sabrina amava mais a vida que qualquer pessoa no mundo. Todos os dias, tingia a rua cinzenta da sua vizinhança com o traço vermelho do seu cabelo ruivo, como uma navália sangrando o asfalto preto. Bebia cada momento como água na bica em dia de futebol. Quando corria, seus passos eram tão carregados que assim que chegava em casa, sua mãe perguntava se carregava um exército nos ombros.
Mas não, não era isso, a verdade era que seus sonhos embarcava uma certeza quase que absoluta, sempre a acompanhando e pairando pesadamente em cada balançar de vestido. Viviam a espreita esperando para acontecer, como a fila para comprar o pão das 6, um presente esperando para ser aberto, um botão pronto para brotar.
Mas não, não era isso, a verdade era que seus sonhos embarcava uma certeza quase que absoluta, sempre a acompanhando e pairando pesadamente em cada balançar de vestido. Viviam a espreita esperando para acontecer, como a fila para comprar o pão das 6, um presente esperando para ser aberto, um botão pronto para brotar.
domingo, 19 de agosto de 2012
Quanto à chegada
Felicidade é quando eu posso desabotoar o último botão do meu paletó sem desabotoar o meu sorriso.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Cabresto
Seu Joaquim quis ser homem rico, ser executivo com papéis para assinar. Largou a cerca meio podre, cheirando morte e enxofre das beleza ingrata do lar. Se aventurou na grande cidade, mas hoje sente saudade do ar do sertão. Arrumou um emprego descrente, sem prole, sem parente, para vender sorvete com apito na mão.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Presente
Todo mundo que já nasceu sabe e não mente. Gente não vem da cegonha, nem da alface, nem da semente. Gente vem da gente, vem do amor que a gente sente. Neném tem que esperar todo esperado, na barriga embrulhado, a vida de presente.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Chave
É uma briga e tanto quando as palavras se recusam a abandonar o campo das ideias. Olho para os móveis, procuro nas janelas e quase imploro para que a cadeira velha de quina para parede me dê alguma pista do que escrever. E nada. É como se as palavras estivessem e não estivessem lá, tudo isso ao mesmo tempo. Como se vivessem em estado de dormência, mornas na inércia em tingir o papel. Até desconfio que na maioria das vezes elas moram no que é exterior a mim, me evitando, desviando ou mudando de calçada como um vizinho bravo que insiste em virar a cara só para não dar bom dia.
domingo, 15 de julho de 2012
Caibo exatamente no espaço entre tuas duas palmas. Que também cabe o mundo, um abraço, um aplauso, você.
domingo, 8 de julho de 2012
Quem ama não vê estátua de bronze, nem medalha de bravura. Não pensa em
vitória, só pensa no coração vazio, na ausência que grita, na cama fria e dura.
domingo, 10 de junho de 2012
Pés descalços
Mamãe sempre reclama por eu andar descalso pela casa até mesmo nos dias mais frios. Bem, preciso me assegurar de manter os pés em total contato com o chão para que eu possa ter minha cabeça tão no alto, mas tão alto, que até o espaço ficaria com ciúmes.
Prateleiras
Todo mundo tem uma caixinha que cabe desde uma cabeça de alfinete até o cruzamento entre duas galáxias onde eles escondem os desejos de um mundo melhor.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Pegadas
Estava embaçado, meio nebuloso e escuro, mas confesso que também vinha de mim a vontade de não ver. De não ser, de não querer, de não aparecer... se escondendo ao ponto de, como um casulo pelo lado de dentro e até por decisão própria, o céu se fechar ao contrário para mim. Doeu, sei bem. Mas me cuidei, me guardei porque sabia que tinha algo guardado, esperando para chegar.
E chegou. Trazendo os bons ares da mudança, da boa mudança. Chegou.
E chegou. Trazendo os bons ares da mudança, da boa mudança. Chegou.
domingo, 26 de junho de 2011
Angústia
é um minuto que dura dez,
que dura vinte, que dura cem, que não passa.
É o céu de pixe na núvem carregada,
é a chuva fraca, é a voz embargada
gotejando uma tristeza preta, grossa, de quem não sente.
Angútia é um desespero que te corta aos poucos,
devagarinho, como agulhadas, mas constantemente.
que dura vinte, que dura cem, que não passa.
É o céu de pixe na núvem carregada,
é a chuva fraca, é a voz embargada
gotejando uma tristeza preta, grossa, de quem não sente.
Angútia é um desespero que te corta aos poucos,
devagarinho, como agulhadas, mas constantemente.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Ser par
Todo sentimento
É um sentir medo:
Medo de falhar,
Medo de perder,
Medo de faltar,
Medo de ceder.
Medo do vazio
que, para quem sofre,
É não sentir nada.
Mas que o amor preenche melhor que ninguém,
Ao ponto de, entre uma ponta e outra do acaso,
se fazer de ponte e unir como papel colado
a vontade de ser par que todo mundo tem.
É um sentir medo:
Medo de falhar,
Medo de perder,
Medo de faltar,
Medo de ceder.
Medo do vazio
que, para quem sofre,
É não sentir nada.
Mas que o amor preenche melhor que ninguém,
Ao ponto de, entre uma ponta e outra do acaso,
se fazer de ponte e unir como papel colado
a vontade de ser par que todo mundo tem.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Fila de banco
Uso a vida aos poucos. Quase não gasto, quase não durmo, trabalho mais que gasto, durmo menos que trabalho. A semana é assim, a vida é assim, a única diferença é o tamanho da fatia e os juros no fim do boleto. Mas aos domingos, ah domingos! Esses sim, merecem ser pagos à vista. Até a última moeda.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
O passado é grande demais para ser lembrado, o presente é rápido demais para ser vivido e o furuto, infinito demais para ser planejado.
sábado, 26 de março de 2011
Um fato
Aprendi que tenho dificuldade em lidar com a derrota.
E que todas as vezes que discursava "mesmo perdendo, temos que continuar com a cabeça levantada e seguir em frente" não imaginava o quanto ardia a sensação de fim. Afinal, pensando bem, é até fácil passar para a próxima luta. Mas e a que se foi? como fazer? esquecer? só erguer os olhos e sorrir? Partir para o próximo desfiladeiro sem retaguarda? Não! Tem um estandarte expondo a minha couraça de chumbo refletindo indiferença à perda, mas dentro, tenho estrutura, um emaranhado de ferro se entortando, trincando e rangendo um pedido de arrego. Um encanamento enferrujado e sujo, engasgado de tanta fumaça, que faz da sua chaminé, meus olhos, gotejando tristesa, até a hora que secar. E vai secar.
E que todas as vezes que discursava "mesmo perdendo, temos que continuar com a cabeça levantada e seguir em frente" não imaginava o quanto ardia a sensação de fim. Afinal, pensando bem, é até fácil passar para a próxima luta. Mas e a que se foi? como fazer? esquecer? só erguer os olhos e sorrir? Partir para o próximo desfiladeiro sem retaguarda? Não! Tem um estandarte expondo a minha couraça de chumbo refletindo indiferença à perda, mas dentro, tenho estrutura, um emaranhado de ferro se entortando, trincando e rangendo um pedido de arrego. Um encanamento enferrujado e sujo, engasgado de tanta fumaça, que faz da sua chaminé, meus olhos, gotejando tristesa, até a hora que secar. E vai secar.
domingo, 20 de março de 2011
A semelhança entre as palavras saudade e soldado
talvez explique tantas batalhas
para esquecer certos momentos e
algumas pessoas.
talvez explique tantas batalhas
para esquecer certos momentos e
algumas pessoas.
Todo errado
Ando estranho,
com sensações roídas,
um grito frestando a garganta
e nos olhos, uma vontade de acontecer.
De explodir, romper a carcaça, chegar.
De suar, esquentar, ferver, estralar, sumir
e todos os infinitivos que o Houaiss me der.
Mas é só ânsia, e enquanto não sair,
fica aqui dentro, retida, essa vontade tesa,
sem ar, quase roxa de existir.
com sensações roídas,
um grito frestando a garganta
e nos olhos, uma vontade de acontecer.
De explodir, romper a carcaça, chegar.
De suar, esquentar, ferver, estralar, sumir
e todos os infinitivos que o Houaiss me der.
Mas é só ânsia, e enquanto não sair,
fica aqui dentro, retida, essa vontade tesa,
sem ar, quase roxa de existir.
Assinar:
Postagens (Atom)