Não adianta decretar que acabou,
que não há mais o que entrar e semear.
É ilusão!
Por mais que o amor pareça inocente,
ele bate, se camufla de destino, se mascara de acaso
e quando você menos espera, em algum pedaço
tem um broto despontando no coração.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
as pessoas não são pra sempre,
mas os sentimentos sim,
a não ser quando desgastados pelas lágrimas,
que ora se fazem de colírio para a alma,
ora de corrosivo para o coração.
a não ser quando desgastados pelas lágrimas,
que ora se fazem de colírio para a alma,
ora de corrosivo para o coração.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Até admito que todos possuem uma jeito de mostrar seu mundo.
Mas o que sai pela sua janela, amor, é formidável.
Mas o que sai pela sua janela, amor, é formidável.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Sala de espera
Na boca, o silêncio da demora. Nas mãos, a revista folheada e não lida, a receita e a péssima caligrafia medical, e o café, quando se tem, para esquentar a ansiedade.
domingo, 11 de julho de 2010
O coração, as lagrimas e a valsa.
"Hoje, domingo, 11 de julho de 2010, exatamente as 6:13 da manhã, o sr. Messias Cavalcante, por não aguentar uma parada cardíaca, encerrou sua conta existencial terrena".
E também hoje, no enterro, percebi que quando as pessoas buscam inspiração para seus dilemas, geralmente olham para cima, cavando, em seus problemas, a solução. Mas naquele lugar não existia céu, nem chave para o que motivara o velório. Existia, porém, o chão para enterrar, não só o corpo, mas a verdade que acontecia. Isso explica todos os olhares e pés se encontrando, buscando no piso, buraco para esconder a dor. Apesar de querer, não era algo que precisasse de respostas, apenas acontecera e pronto, aconteceu.
Não sei se o rosto aflito, responsável pela maior parte das expressões, cedeu lugar a outros membros, outros órgãos; ou se ambos estiveram se ajudando multuamente, mas o fato é que as mãos falavam por si, as pernas gritavam um dó maior e os corações, pareciam bumbos. Só depois fui entender a canção: O cérebro, aceitando a trajetória finita daquele corpo, tentava ensinar ao coração que a saudade é um tipo de egoísmo. E o coração replicava, argumentando que egoísmo é não sentir nada. Não aprendeu aquela lição, não tão cedo.
E também hoje, no enterro, percebi que quando as pessoas buscam inspiração para seus dilemas, geralmente olham para cima, cavando, em seus problemas, a solução. Mas naquele lugar não existia céu, nem chave para o que motivara o velório. Existia, porém, o chão para enterrar, não só o corpo, mas a verdade que acontecia. Isso explica todos os olhares e pés se encontrando, buscando no piso, buraco para esconder a dor. Apesar de querer, não era algo que precisasse de respostas, apenas acontecera e pronto, aconteceu.
Não sei se o rosto aflito, responsável pela maior parte das expressões, cedeu lugar a outros membros, outros órgãos; ou se ambos estiveram se ajudando multuamente, mas o fato é que as mãos falavam por si, as pernas gritavam um dó maior e os corações, pareciam bumbos. Só depois fui entender a canção: O cérebro, aceitando a trajetória finita daquele corpo, tentava ensinar ao coração que a saudade é um tipo de egoísmo. E o coração replicava, argumentando que egoísmo é não sentir nada. Não aprendeu aquela lição, não tão cedo.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
O Assobiador
A música, que pelo ouvido vem,
pelo véu da boca vai,
chorando nos dentes, as notas
e fazendo do vento, som.
E, por mais desafinado que seja,
ainda sim, é melhor que o nada.
Afinal, ritmo é sinônimo de tédio
para uma vida de vários tons.
pelo véu da boca vai,
chorando nos dentes, as notas
e fazendo do vento, som.
E, por mais desafinado que seja,
ainda sim, é melhor que o nada.
Afinal, ritmo é sinônimo de tédio
para uma vida de vários tons.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Antes, minhas palavras nasciam molhadas de tinta.
Hoje, se nascem, morrem afogadas nos pixels.
Vez ou outra, encontro uma ou duas carcaças,
retiro-as e jogo no papel.
Quero meus moldes, minha caligrafia,
pra assim, quem sabe, fazê-las poesia novamente.
Hoje, se nascem, morrem afogadas nos pixels.
Vez ou outra, encontro uma ou duas carcaças,
retiro-as e jogo no papel.
Quero meus moldes, minha caligrafia,
pra assim, quem sabe, fazê-las poesia novamente.
sábado, 3 de julho de 2010
As estações podem passar e,
pela chegada do inverno,
as cores das letras congelarem,
mas acredite amor, só você e seu calor,
podem aquecer e assim, terminar minhas frases
antes mesmo delas começarem.
pela chegada do inverno,
as cores das letras congelarem,
mas acredite amor, só você e seu calor,
podem aquecer e assim, terminar minhas frases
antes mesmo delas começarem.
domingo, 27 de junho de 2010
Relicário
Corre a lua, porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por essa noite
Porque está amanhecendo?
Peço o contrário, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for
C. Eller e Nando Reis
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por essa noite
Porque está amanhecendo?
Peço o contrário, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for
C. Eller e Nando Reis
quinta-feira, 24 de junho de 2010
A falta: ou mata o amor por sofreguidão
ou o caleja contra a solidão, e, pra ser sincero,
não sei o que é pior, um coração morto de tanto
sangrar ou um que de tantos calos, não consiga mais amar.
ou o caleja contra a solidão, e, pra ser sincero,
não sei o que é pior, um coração morto de tanto
sangrar ou um que de tantos calos, não consiga mais amar.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
Retratos
Tirei uma foto, precisava imortalizar um momento,
enquadrar aquela vida, emolduraçar aqueles sorrisos,
e colocar na estante, de enfeite, aquele sentimento.
É bonito, troféu de outrotora,
ter vivido, ainda que de momento singular
histórias que não se repetirão,
mas estão aqui, no pódio das lembranças
pra guardar no escrivão.
Pena nada do que tenha sido registrado,
igual antes, tenha sobrado.
Os rostos são parecidos, as roupas também são
mas as pessoas deixaram de ser,
esqueceram quem ou que foram
e agora, nessa foto, mora o antigo,
o vazio das lembranças em vão.
O que sobrou?
a impressão
de que naquilo, a foto,
não sobrou mais que
a sensação:
— Nada mais é o que foi,
a unica coisa que permanece
é a mudança ou a solidão.
domingo, 13 de junho de 2010
Não gosto do frio nem do calor.
Gosto do cobertor que o frio me traz
e da piscina que o calor me pede.
Gosto do cobertor que o frio me traz
e da piscina que o calor me pede.
São Paulo chove. São Paulo pára.
Eu, como frequentador passivo do transporte público da capital, posso, sem sombra de dúvidas, afirmar:
—São Paulo não sobrevive em meio aquoso.
E, convenhamos que não se precisa ser grande geólogo, físico ou político para listar fatores, encabeçados pela falta de infraestrutura em pontos estratégicos (lê-se desvio de verbas) e discrepância (entenda cinismo) daqueles que a governam, para que ela tenha chegado em tal situação. Ruas alagam, trânsito — antes já demorado — migra para um patamar caótico e, de forma forçada, a vida das pessoas é obrigada a parar, ora pra tentar salvar seus objetos, moveis, roupas, ora pra tentar salvar a própria vida e a daqueles que amam.
—São Paulo não sobrevive em meio aquoso.
E, convenhamos que não se precisa ser grande geólogo, físico ou político para listar fatores, encabeçados pela falta de infraestrutura em pontos estratégicos (lê-se desvio de verbas) e discrepância (entenda cinismo) daqueles que a governam, para que ela tenha chegado em tal situação. Ruas alagam, trânsito — antes já demorado — migra para um patamar caótico e, de forma forçada, a vida das pessoas é obrigada a parar, ora pra tentar salvar seus objetos, moveis, roupas, ora pra tentar salvar a própria vida e a daqueles que amam.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Recado à aulas matinais
Sentada logo alí, me faz ouvir suas respostas de física.
E o riso bobo das comédias alheias do momento.
Sabe, até mesmo a raiva por errar química soa bem,
me chamando a atenção em para qualquer movimento.
Como não notá-la se seus traços são recheados de cálculos?
parecem ritmicamente planejados, montados.
Sendo até o pegar de uma borracha algo pensado
e o levantar, no intervalo, uma dança ensaiada.
E ela é assim.
Eu tento não olhar, não quero, não, quero sim,
mas não quero parecer suspeito,
não quero tirar a graça e a expontaniedade do seu sorriso,
quero que ainda ache graça na minha piada matinal
e que não se feche por achar que eu quero mais que o lápis emprestado
e a resposta de literatura da semana passada.
Quero continuar assim, na espreita.
Prefiro te sonhar do que tentar te ter
e perder a sutileza da expressão.
Prefiro te analisar de longe
do que te afastar de vez
ao te faze perceber que enquanto todos
querem só um esboço da sua companhia,
por te querer em arte final, sou eu, a excessão.
E o riso bobo das comédias alheias do momento.
Sabe, até mesmo a raiva por errar química soa bem,
me chamando a atenção em para qualquer movimento.
Como não notá-la se seus traços são recheados de cálculos?
parecem ritmicamente planejados, montados.
Sendo até o pegar de uma borracha algo pensado
e o levantar, no intervalo, uma dança ensaiada.
E ela é assim.
Eu tento não olhar, não quero, não, quero sim,
mas não quero parecer suspeito,
não quero tirar a graça e a expontaniedade do seu sorriso,
quero que ainda ache graça na minha piada matinal
e que não se feche por achar que eu quero mais que o lápis emprestado
e a resposta de literatura da semana passada.
Quero continuar assim, na espreita.
Prefiro te sonhar do que tentar te ter
e perder a sutileza da expressão.
Prefiro te analisar de longe
do que te afastar de vez
ao te faze perceber que enquanto todos
querem só um esboço da sua companhia,
por te querer em arte final, sou eu, a excessão.
domingo, 16 de maio de 2010
Bem, esse é o começo - Capitulo I
— Ela é toda assim, toda.
E isso não é um exagero de linguagem. Se eu quisesse reduzí-la a uma palavra, completa seria o tiro certeiro. Ou vocês acham que Camila de Oliveira iria se contentar com algo que não fosse exatamente o limite da absoluta concretização de seus desejos? Sendo pra ela, uma canceriana de espírito e jornalista de nascimento, explorar o íntimo de cada coração apenas um início que, se depender de você, e só de você, poderia se transformar em um relacionamento eterno. Independente do que isso significar.
Eu, um exímio geminiano atrapalhado e distraído, a principio, não vi nenhum traço de conectividade entre nós, até por que, convenhamos, não tem mesmo como tirar lá muitas conclusões com apenas alguns minutos de, digamos, "convivência".
Mas, as conclusões começarem a aparecer e dentre as três meninas dividindo a mesma mesa, uma com o cabelo azul e outra cor de jambo, ela foi quem mais me chamou atenção. Não pelo seu estereótipo engraçado ou pelo sorriso delicioso de ouvir, mas por que alguma coisa nela me atraia. Talvez fossem nossos signos, talvez fosse o destino brincando de ser cupido ou, nenhum deles. O fato é que algo ia acontecer, e esse mesmo destino apaixonado, se tornaria irônico e, diria de passagem, traiçoeiro em alguns momentos.
Jonny César, o geminiano.
terça-feira, 11 de maio de 2010
As palavras e seus sentidos — A mobília
As palavras são ocas. Ora para emoldurar amores, ora para abrandar tragédias. Diria, então, se pudesse, que meu coração é uma grande sala cheia de jornais e retratos.
domingo, 2 de maio de 2010
Do que os poetas vivem.
O jornalista se faz do jornal,
do caderno de notícias
do sobe e desce da bolsa,
das crônicas da polícia.
O garçom vive das gorjetas,
dos jogos de quarta e seu placares
dos desabafos de quem tá na sarjeta
das rodas de mesa e dos sambas populares
Os bancários, do que rende no fim do mês,
do juro sobre juros acumulados,
do empréstimo do burguês
das contas do aposentado.
E os cantores? vivem da voz!
dos show de sexta no Canecão
do timbre que canta aos ouvidos
das notas que encantam o coração.
Os cozinheiros comem com o que cozinham
e cozinham para que outros possam comer.
O que seria de Camões sem um cozinheiro?
Um alguém faminto demais pra escrever.
Os arquitetos vivem de contas e desenhos,
desenhos que viram sonhos,
contas que viram concreto,
Nessa, o pedreiro pega carona
e do cimento, tira seu sustento.
E um poeta? do que vive?
Ninguém compra poesias.
Nem cartas de amor se tivesse,
mas não vou ser jornalista, banqueiro,
garçom, cantor ou cozinheiro.
Quero fazer palavras ao coração.
E mesmo que ninguém as entenda,
o tempo há de entender,
que um amor sem poesia é crime.
Que um sonho sem poetas
é impossível de acontecer.
do caderno de notícias
do sobe e desce da bolsa,
das crônicas da polícia.
O garçom vive das gorjetas,
dos jogos de quarta e seu placares
dos desabafos de quem tá na sarjeta
das rodas de mesa e dos sambas populares
Os bancários, do que rende no fim do mês,
do juro sobre juros acumulados,
do empréstimo do burguês
das contas do aposentado.
E os cantores? vivem da voz!
dos show de sexta no Canecão
do timbre que canta aos ouvidos
das notas que encantam o coração.
Os cozinheiros comem com o que cozinham
e cozinham para que outros possam comer.
O que seria de Camões sem um cozinheiro?
Um alguém faminto demais pra escrever.
Os arquitetos vivem de contas e desenhos,
desenhos que viram sonhos,
contas que viram concreto,
Nessa, o pedreiro pega carona
e do cimento, tira seu sustento.
E um poeta? do que vive?
Ninguém compra poesias.
Nem cartas de amor se tivesse,
mas não vou ser jornalista, banqueiro,
garçom, cantor ou cozinheiro.
Quero fazer palavras ao coração.
E mesmo que ninguém as entenda,
o tempo há de entender,
que um amor sem poesia é crime.
Que um sonho sem poetas
é impossível de acontecer.
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